Rochas ornamentais de ES atingem segundo melhor semestre com junho recorde
Setor exportou US$ 711,1 milhões no primeiro semestre de 2026, com junho marcando recorde mensal de US$ 165,2 milhões. Quartzito lidera exportações, enquanto Espírito Santo representa 76% do total brasileiro e mantém posição estratégica no mercado global.
O setor brasileiro de rochas ornamentais demonstra recuperação e robustez, fechando o primeiro semestre de 2026 com o segundo melhor resultado da história para o período. As exportações somaram US$ 711,1 milhões, conforme dados do Centrorochas, entidade que representa os exportadores do segmento. A comparação com 2025, que estabeleceu o recorde anterior de US$ 742,3 milhões, oferece contexto importante: a queda de 4,2% reflete uma base de comparação excepcional, não uma contração real do setor.
Junho marca recorde histórico mensal
O indicador mais significativo reside no desempenho de junho. O mês movimentou US$ 165,2 milhões, representando crescimento de 34,1% sobre junho de 2025 e estabelecendo o melhor junho já registrado pelo setor. Esse desempenho surpreendente sinaliza recuperação de mercados estratégicos e reposicionamento estratégico dos exportadores brasileiros.
Dinâmica de mercados internacionais
Os Estados Unidos mantêm posição como principal destino para rochas manufaturadas brasileiras, com US$ 363,6 milhões no semestre. Contudo, o mercado americano contraiu 14,5% na comparação anual, refletindo pressões tarifárias internacionais. Entre outros compradores tradicionais, Canadá cresceu 20,6% (US$ 10,5 milhões) e México avançou 1,7% (US$ 27 milhões), enquanto Reino Unido e Itália recuaram 5,8% e 15,9%, respectivamente.
A China emerge como fenômeno relevante, comprando US$ 144,4 milhões em rochas brutas no semestre — crescimento de 34,6% e recorde histórico para o período. Esse movimento indica reacomodação estratégica dos exportadores em resposta às políticas tarifárias americanas. Enquanto o material manufaturado sofre retração norte-americana, o bruto ganha espaço impulsionado pela demanda asiática. Índia (US$ 3 milhões, alta de 23,3%) e Polônia (US$ 1,9 milhão, alta de 33,7%) também estabeleceram recordes de compra de material bruto.
Quartzito lidera exportações
O quartzito consolida-se como carro-chefe das exportações. Foram US$ 428,5 milhões entre janeiro e junho, crescimento de 6,7% e novo recorde. O material representa aproximadamente 60% de tudo o que o setor embarca, demonstrando sua importância estratégica. Na direção oposta, granito caiu 18,4% (US$ 199,7 milhões) e mármore recuou 26,7% (US$ 35,3 milhões), refletindo dependência maior desses produtos do mercado americano de bancadas e revestimentos.
Espírito Santo consolida liderança
Para o Espírito Santo, que concentra a maior parte da produção e beneficiamento de rochas do país, o semestre apresentou desafios específicos. As exportações capixabas somaram US$ 544 milhões, queda de 10% sobre os US$ 604,4 milhões do primeiro semestre de 2025. Mesmo assim, o Estado respondeu por aproximadamente 76% das exportações brasileiras no semestre, reafirmando sua posição estratégica. Avaliando períodos anteriores a 2025 — ano de recorde histórico — o resultado de 2026 é positivo, superando com folga qualquer semestre anterior ao ano passado.
O que isso significa para o mercado
O desempenho do setor de rochas ornamentais reflete a importância econômica dessa indústria para o Espírito Santo. A liderança capixaba em 76% das exportações nacionais consolida a região como polo global nesse segmento, atraindo investimentos, infraestrutura portuária e serviços especializados. O crescimento de mercados asiáticos — especialmente China — cria diversificação de risco e novas oportunidades. Para o mercado imobiliário, essa dinâmica positiva sinaliza saúde econômica regional, que favorece investimentos em empreendimentos, infraestrutura correlata e valorização de propriedades em áreas portuárias e industriais. A sustentabilidade do setor depende de inovação, investimento em tecnologia e manutenção de competitividade, mas os sinais atuais indicam resiliência e adaptação estratégica.
Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.
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