Mercado imobiliário da Grande Vitória mantém ritmo saudável apesar de desaceleração
Com R$ 500 milhões em vendas mensais e 18.969 unidades em produção, setor opera com cautela mas mantém índices saudáveis. Escassez de mão de obra surge como principal desafio, superando até os juros elevados.
O mercado imobiliário da Grande Vitória movimentou cerca de R$ 500 milhões por mês em vendas brutas no segundo semestre de 2025, acumulando 18.969 unidades residenciais em diferentes fases de construção. Os números do 46º Censo Imobiliário do Sinduscon-ES revelam um setor ainda robusto, mas que passa a operar com maior cautela em relação aos anos anteriores.
Aproximadamente 75% das unidades em produção já foram comercializadas, índice que mantém o mercado dentro de um patamar considerado saudável pelo setor. A velocidade de vendas — entre 5% e 6% do estoque mensal — está alinhada à média histórica, indicando estabilidade sem sinais de superaquecimento.
Ritmo moderado para 2026
A previsão para 2026 mantém o mercado ativo, embora em ritmo mais moderado. Vila Velha lidera com 2.540 lançamentos previstos, seguida pela Serra (2.310) e Vitória (1.146). Cariacica e Viana aparecem com 668 unidades somadas, demonstrando expansão também em áreas antes menos exploradas pelo mercado formal.
No entanto, o nível de otimismo das incorporadoras diminuiu. Atualmente, 55% das empresas pretendem ampliar lançamentos — percentual inferior ao observado em ciclos anteriores. "Hoje o mercado está mais próximo da metade. Isso mostra cautela maior das empresas", afirmou Eduardo Schwartz Borges, diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES.
Escassez de mão de obra preocupa mais que juros
Um dos dados mais reveladores do censo é a escassez de mão de obra qualificada, que passou a ocupar posição central entre os desafios do setor. "Nunca foi um dos principais entraves para o setor. Porém agora aparece como um dos maiores", destacou Borges. Em alguns casos, esse problema já supera fatores tradicionais como os juros elevados.
Persistem também dificuldades estruturais: escassez de terrenos, especialmente em Vitória, burocracia nos processos de aprovação, custos elevados de cartórios e instabilidade política e econômica. "O cenário hoje é de incerteza, e isso faz com que as empresas sejam mais seletivas", explicou o diretor.
O que isso significa para o mercado
A desaceleração não indica crise, mas sim um mercado mais maduro e seletivo. Para compradores e investidores, isso pode representar maior estabilidade de preços e melhor poder de negociação, especialmente em empreendimentos que já estão em estágio avançado de construção.
A velocidade de vendas dentro da média histórica e o alto índice de comercialização (75%) demonstram que a demanda continua sólida. O movimento de expansão para áreas como Cariacica e Viana também abre oportunidades em regiões com preços mais acessíveis e potencial de valorização futura.
Para quem busca imóvel na região, o momento combina oferta diversificada com mercado equilibrado. A cautela das incorporadoras pode resultar em produtos mais bem planejados e alinhados às reais necessidades dos compradores, além de menor risco de oversupply (excesso de oferta) no médio prazo.
Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.
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