Mercado Imobiliário Grande Vitória · 30 Mar 2026

Mercado imobiliário da Grande Vitória mantém ritmo saudável apesar de desaceleração

Com R$ 500 milhões em vendas mensais e 18.969 unidades em produção, setor opera com cautela mas mantém índices saudáveis. Escassez de mão de obra surge como principal desafio, superando até os juros elevados.

Mercado imobiliário da Grande Vitória mantém ritmo saudável apesar de desaceleração

O mercado imobiliário da Grande Vitória movimentou cerca de R$ 500 milhões por mês em vendas brutas no segundo semestre de 2025, acumulando 18.969 unidades residenciais em diferentes fases de construção. Os números do 46º Censo Imobiliário do Sinduscon-ES revelam um setor ainda robusto, mas que passa a operar com maior cautela em relação aos anos anteriores.

Aproximadamente 75% das unidades em produção já foram comercializadas, índice que mantém o mercado dentro de um patamar considerado saudável pelo setor. A velocidade de vendas — entre 5% e 6% do estoque mensal — está alinhada à média histórica, indicando estabilidade sem sinais de superaquecimento.

Ritmo moderado para 2026

A previsão para 2026 mantém o mercado ativo, embora em ritmo mais moderado. Vila Velha lidera com 2.540 lançamentos previstos, seguida pela Serra (2.310) e Vitória (1.146). Cariacica e Viana aparecem com 668 unidades somadas, demonstrando expansão também em áreas antes menos exploradas pelo mercado formal.

No entanto, o nível de otimismo das incorporadoras diminuiu. Atualmente, 55% das empresas pretendem ampliar lançamentos — percentual inferior ao observado em ciclos anteriores. "Hoje o mercado está mais próximo da metade. Isso mostra cautela maior das empresas", afirmou Eduardo Schwartz Borges, diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES.

Escassez de mão de obra preocupa mais que juros

Um dos dados mais reveladores do censo é a escassez de mão de obra qualificada, que passou a ocupar posição central entre os desafios do setor. "Nunca foi um dos principais entraves para o setor. Porém agora aparece como um dos maiores", destacou Borges. Em alguns casos, esse problema já supera fatores tradicionais como os juros elevados.

Persistem também dificuldades estruturais: escassez de terrenos, especialmente em Vitória, burocracia nos processos de aprovação, custos elevados de cartórios e instabilidade política e econômica. "O cenário hoje é de incerteza, e isso faz com que as empresas sejam mais seletivas", explicou o diretor.

O que isso significa para o mercado

A desaceleração não indica crise, mas sim um mercado mais maduro e seletivo. Para compradores e investidores, isso pode representar maior estabilidade de preços e melhor poder de negociação, especialmente em empreendimentos que já estão em estágio avançado de construção.

A velocidade de vendas dentro da média histórica e o alto índice de comercialização (75%) demonstram que a demanda continua sólida. O movimento de expansão para áreas como Cariacica e Viana também abre oportunidades em regiões com preços mais acessíveis e potencial de valorização futura.

Para quem busca imóvel na região, o momento combina oferta diversificada com mercado equilibrado. A cautela das incorporadoras pode resultar em produtos mais bem planejados e alinhados às reais necessidades dos compradores, além de menor risco de oversupply (excesso de oferta) no médio prazo.

Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.

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