Geração Z enxerga imóvel como patrimônio: 67% planejam compra nos próximos 2 anos
Pesquisa mostra que jovens de 21 a 28 anos lideram intenção de compra no Brasil e ES, buscando moradia e construção de riqueza. Vila Velha concentra 50% da oferta metropolitana com 9.801 unidades em construção, abrindo oportunidades para esse novo perfil.
Uma geração que reimagina o imóvel
A Geração Z — jovens de 21 a 28 anos — está redesenhando o mercado imobiliário brasileiro e capixaba. Conforme pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, cerca de 67% dessa geração pretende adquirir um imóvel nos próximos 24 meses, um crescimento significativo em relação aos 57% registrados no início de 2025. Esse movimento reflete não apenas a busca por independência habitacional, mas uma visão mais madura: o imóvel como instrumento de geração de patrimônio e riqueza.
As gerações anteriores também demonstram interesse, mas em menor escala. A Geração Y (29 a 44 anos) apresenta 53% de intenção de compra, enquanto a Geração X (45 a 60 anos) atinge 47%. Entre Baby Boomers (61 a 79 anos), o índice cai para 25%. A distribuição entre gêneros é equilibrada — 51% homens e 49% mulheres —, com as mulheres liderando a efetivação de decisões de compra.
Vila Velha: epicentro da oferta metropolitana
Para atender essa demanda crescente, a Grande Vitória apresenta oferta em expansão acelerada. O 46º Censo Imobiliário do Sinduscon-ES registrou 19.469 unidades em construção na região, cerca de 14% acima do levantamento anterior. Do total, 18.969 eram residenciais. Vila Velha é o destaque, concentrando 9.801 unidades — equivalente a 50,3% de toda a produção metropolitana. Esse volume posiciona a cidade como principal polo para quem busca adquirir imóvel na região.
Desafios reais: renda, crédito e localização
Contudo, transformar intenção em compra efetiva depende de fatores estruturantes. Vaner Corrêa, economista do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), destaca que a conversão será seletiva: maior entre famílias de alta renda e compradores atendidos por programas habitacionais; mais desafiadora para a classe média dependente de financiamento. Em julho de 2026, Vitória registrou preço médio anunciado de R$ 15.448 por metro quadrado — o maior entre cidades monitoradas pelo FipeZap —, criando pressão nos orçamentos de primeiro acesso.
O que isso significa para o mercado
A entrada da Geração Z abre janela importante para incorporadoras e imobiliárias. Esse público busca transições de vida — sair da casa dos pais, deixar aluguel, casar, mudar de cidade — e enxerga o imóvel como investimento de longo prazo. Para efetivação, produtos com melhor relação preço-infraestrutura ganharão espaço, especialmente imóveis compactos, unidades econômicas enquadradas em programas habitacionais e empreendimentos em municípios da região metropolitana que ofereçam mobilidade adequada.
A demanda reprimida do estado encontra oferta crescente, mas a efetivação dependerá da combinação entre renda disponível, capacidade de entrada, juros, prazo do financiamento e localização. Quem estrutura seus negócios para atender esse novo perfil — jovem, conectado, com visão patrimonial do imóvel — colhe oportunidades reais de crescimento.
Baseado em informações publicadas por ES Brasil e ES Hoje.
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