Economia Grande Vitória · 25 Mar 2026

Boom da construção civil aquece mercado de aço e impulsiona economia capixaba

Expansão simultânea de obras públicas e privadas redefine ritmo econômico do ES. Fornecedores de aço relatam aumento de demanda e alertam para alta de preços após fim do dumping chinês, criando janela de oportunidade para compradores.

Boom da construção civil aquece mercado de aço e impulsiona economia capixaba

O Espírito Santo vive um momento de intensa atividade na construção civil, com avanço simultâneo de obras públicas e privadas redesenhando o ritmo da economia local. O movimento já é sentido no dia a dia das empresas do setor, especialmente no segmento de aço — insumo fundamental para qualquer construção.

Brendo Bremenkamp, diretor executivo da Casa do Serralheiro, empresa capixaba com mais de 15 anos de atuação, confirma o aquecimento. "A gente percebe um aumento consistente na demanda, com orçamentos chegando o tempo todo e clientes em diferentes perfis — desde pequenos construtores até grandes incorporadoras", relata. A empresa atende mais de 10 mil clientes por mês, fornecendo materiais de aço, estruturas metálicas e ferragens.

O que está impulsionando o crescimento?

Mesmo com juros elevados, o mercado se mantém aquecido por múltiplos fatores. Programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida e linhas subsidiadas da Caixa sustentam a demanda residencial. Obras públicas em infraestrutura estimulam o comércio e geram necessidade de novas construções. E o avanço do setor logístico, impulsionado pelo e-commerce e pela posição estratégica do ES entre Sudeste e Nordeste, cria demanda por galpões e centros de distribuição.

Bremenkamp destaca que muitos incorporadores estão vendendo unidades antes mesmo do início das obras, sinalizando confiança e liquidez no mercado. "O mercado está aquecido em todas as frentes. 2025 foi um ano positivo e a expectativa para 2026 é ainda melhor", afirma.

Alerta: alta do aço no horizonte

Historicamente, o aço representa cerca de 20% do custo de uma obra. Nos últimos meses, esse percentual caiu para 11%-12%, devido à entrada de aço chinês a preços artificialmente baixos (dumping). Com a aplicação de medidas antidumping, o preço do aço tende a dobrar em alguns casos, elevando o custo total das construções.

Para construtoras com estoque, isso pode valorizar imóveis prontos ou em fase de venda. Para o consumidor final, significa preços mais altos. "O momento atual ainda é uma janela de oportunidade para quem pretende comprar ou construir", alerta Bremenkamp.

O que isso significa para o mercado

O aquecimento da construção civil é um termômetro confiável da economia capixaba. Obras públicas, investimento privado e programas habitacionais convergem para criar um ciclo positivo de crescimento. Regiões como Aracruz e São Mateus, com obras portuárias, tendem a se beneficiar ainda mais, gerando efeito em cadeia: mais infraestrutura, mais empresas, mais construção.

Para quem pensa em construir ou reformar, o recado é claro: aproveitar os preços atuais do aço antes da alta iminente. Para investidores, o momento sinaliza valorização de imóveis prontos e oportunidades em regiões de expansão logística e portuária.

Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.

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