Vitória tem metro quadrado mais caro do Brasil e lidera valorização em 2025
Capital capixaba registrou alta de 24,36% em um ano até agosto, superando todas as 56 cidades monitoradas. Renda elevada, baixo desemprego e escassez de terrenos explicam o fenômeno que coloca Vitória no topo do mercado nacional.
Vitória consolidou-se como o município com maior valorização imobiliária do Brasil em 2025. Segundo o Índice FipeZAP, que acompanha mensalmente o valor de venda em 56 cidades brasileiras, a capital capixaba registrou alta de 24,36% no período de 12 meses até agosto. Além de liderar a valorização, Vitória também apresenta o metro quadrado mais caro do país entre as cidades monitoradas, superando R$ 14 mil.
O que explica esse desempenho
Três fatores principais sustentam essa trajetória. O primeiro é o baixo nível de desemprego e a renda elevada das famílias capixabas, que permite maior capacidade de compra. O segundo é a escassez de terrenos disponíveis para construção nas áreas mais valorizadas da cidade, especialmente na orla. O terceiro é o perfil litorâneo de Vitória, que concentra demanda aquecida em regiões onde a oferta não consegue crescer na mesma velocidade.
"É um reflexo direto do aquecimento do mercado imobiliário", explica Alison Oliveira, coordenador do Índice FipeZAP. "Quando vemos a renda das famílias nessas cidades, observamos localidades onde houve recuperação da renda familiar acima da média nacional. E um fator peculiar é o fato de serem cidades litorâneas. A orla costuma ser a região mais valorizada, com um limitador físico para a expansão da oferta. Se há demanda aquecida e não é possível aumentar a oferta na mesma velocidade, o reflexo é esse aumento de preços."
Outras capitais que se destacam
Salvador aparece em segundo lugar com elevação de 17,90%, seguida de João Pessoa, que teve incremento de 16,32%. Fortaleza, Belo Horizonte, Belém e Curitiba também registraram ganhos de dois dígitos nos últimos 12 meses. No Centro-Oeste, Campo Grande teve alta de 10,53%, e no Nordeste, São Luís cresceu 9,84%. Até mercados tradicionalmente mais estáveis, como Florianópolis, Porto Alegre e Maceió, registraram aumentos relevantes acima de 8%.
Imóveis menores valorizam mais
A análise por tipologia revela uma dinâmica interessante: unidades de um dormitório foram as que mais se valorizaram, acumulando 8,12% em 12 meses, enquanto imóveis maiores, com quatro dormitórios ou mais, subiram 5,48%. "É um fenômeno demográfico", detalha Oliveira. "Observamos um crescimento do número de domicílios unipessoais e redução do número médio de pessoas por domicílio. Isso ocorre, por exemplo, por pessoas que não se casam, não têm filhos, o que tem sido mais frequente. Um outro fator é que esses imóveis acabam sendo mais baratos do que os de dois, três ou quatro dormitórios, então eles têm uma acessibilidade maior."
O que isso significa para o mercado
Vitória entrou em um ciclo de valorização sustentada, impulsionada por fundamentos sólidos: renda em alta, economia robusta, qualidade de vida e limitação geográfica. Para investidores e compradores, isso significa que os preços na capital já operam em patamar elevado e devem continuar subindo. Quem busca oportunidades de valorização mais acessíveis pode olhar para cidades vizinhas da Grande Vitória, como Vila Velha e Serra, que também apresentam crescimento, mas ainda com preços mais baixos que a capital. A lição é clara: em um mercado aquecido como o capixaba, entrar cedo é fundamental para aproveitar o potencial de ganho.
Baseado em informações publicadas por Exame.
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