TVV investe R$ 35 milhões e amplia capacidade para disputar cargas com Rio e Santos
O Terminal de Vila Velha recebeu autorização da Receita Federal para alfandegar 70 mil m² de nova área operacional, expandindo em 60% sua capacidade. A ampliação, parte de um ciclo de R$ 205 milhões em investimentos, permite ao porto capixaba competir diretamente com Rio de Janeiro e Santos por cargas do Sudeste e Centro-Oeste.
A Receita Federal autorizou o alfandegamento da Retroárea Penedo, nova área operacional do Terminal de Vila Velha (TVV), controlado pela Log-In no Porto de Vitória. Com isso, o terminal ganha 70 mil metros quadrados de espaço habilitado para receber cargas de comércio exterior — equivalente a 60% de sua área total.
O alfandegamento é o ato pelo qual a Receita Federal habilita uma área para operar com cargas internacionais, submetendo-a ao controle para nacionalização e recolhimento de tributos. A expansão chega em momento de alta demanda sobre o TVV, único terminal que opera contêineres no Espírito Santo.
Investimento de R$ 35 milhões e retomada da ferrovia
O investimento na nova área é de R$ 35 milhões e representa a conclusão de um ciclo de curto prazo que começou com a renovação tecnológica do terminal, concluída em 2024. Segundo Gustavo Paixão, diretor de terminais da Log-In, a empresa negociava essa expansão desde 2022. "Estávamos muito apertados. A estrutura ficou pronta e estava pendente só o alfandegamento", afirmou o executivo.
O TVV encerrou 2024 com movimentação acima de sua capacidade máxima, impulsionado principalmente pela safra de café. Com a nova área operacional, a Log-In projeta não apenas absorver a demanda reprimida de clientes já presentes no Espírito Santo — como café e rochas naturais — mas também disputar cargas que hoje fluem dos estados do Sudeste e Centro-Oeste para os portos do Rio de Janeiro e Santos.
Competição estratégica com Rio e Santos
"A nossa operação em capacidade máxima gerou um efeito ruim: perdemos carga para o Rio e para Santos. Agora temos condições de reverter isso, pois temos mais área alfandegada e retomamos a conexão com a ferrovia", disse Paixão. A competição se concentra em dois eixos principais: café de Minas Gerais e do sul da Bahia, onde custo logístico e prazo são determinantes para a margem do exportador; e tubos offshore, segmento em que o TVV já se posicionou como operador logístico de dois dos principais players do setor.
A ferrovia é o modal que conecta o interior e o centro do país ao Porto de Vitória, tornando o Espírito Santo geograficamente competitivo para cargas originadas em Minas Gerais e estados vizinhos. Do lado do TVV, o ciclo de curto prazo encerrado com o alfandegamento da Retroárea Penedo soma R$ 205 milhões: R$ 170 milhões em renovação tecnológica concluída em 2024 e R$ 35 milhões na expansão da área operacional. Paixão afirma que há mais R$ 500 milhões em compromissos de investimento de longo prazo já sinalizados para o terminal.
O que isso significa para o mercado
A ampliação do TVV fortalece Vila Velha e toda a Grande Vitória como polo logístico estratégico. Terminais portuários eficientes atraem empresas, geram empregos e valorizam o entorno. A retomada da competitividade do porto capixaba frente a gigantes como Rio e Santos coloca o Espírito Santo no mapa das rotas comerciais internacionais, sinalizando estabilidade e crescimento para quem investe na região. Bairros próximos ao porto e à malha ferroviária tendem a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.
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