Prefeitura de Vitória permite transferência de potencial construtivo para revitalizar Centro
Novo instrumento urbanístico permite vender direito de construir de imóveis subutilizados para outros locais. Iniciativa busca reocupar Centro aproveitando infraestrutura existente e atraindo moradores para qualificar comércio local.
A Prefeitura de Vitória apresentou um instrumento urbanístico inovador para revitalizar o Centro: a transferência de potencial construtivo. O mecanismo permite que proprietários de imóveis subutilizados transfiram o direito de construir para outro terreno, viabilizando projetos que aproveitam a infraestrutura já consolidada na região central.
A proposta foi bem recebida pelo setor imobiliário, embora com atenção aos detalhes de implementação. Segundo Juarez Gustavo Soares, diretor da Associação Empresas Mercado Imobiliário (Ademi-ES), a medida reconhece que o Centro possui infraestrutura de transporte, comércio e serviços subutilizada. A chave, em sua visão, é focar no potencial residencial: "Levando mais moradores para o Centro, a gente acaba indiretamente ajudando na qualificação do comércio".
Oportunidades e cautelas
Leandro Lorenzon, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES), enxerga o potencial econômico da medida. "Sempre que há um aumento da possibilidade de construção, isso é positivo para a cidade", afirma. Ambos os líderes do setor, porém, alertam para a importância de analisar o decreto final e garantir segurança jurídica nas operações.
Em contrapartida ao aumento do potencial construtivo, construtoras e incorporadoras terão de reformar imóveis antigos na região. A medida está sendo elaborada pela Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação (Sedec) e será apresentada ao Conselho Municipal.
O que isso significa para o mercado
Esse instrumento pode transformar a dinâmica imobiliária do Centro de Vitória. Ao permitir maior densidade construtiva em lotes bem localizados, abre espaço para novos projetos residenciais e comerciais sem necessidade de expandir para áreas periféricas. Para o mercado, isso significa oportunidades de negociação de potencial construtivo entre proprietários, possibilidade de revitalização de fachadas urbanas, e reativação de um ativo imobiliário historicamente desvalorizado. Investidores e proprietários atentos já veem nessa política um caminho para transformar patrimônio dorminhoco em fonte de renda.
Baseado em informações publicadas por Tribuna Online.
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