Investidor capixaba volta ao imóvel em busca de segurança e retorno no longo prazo
Empresário José Luis Galvêas analisa o momento do mercado imobiliário e destaca que, mesmo com juros altos, investidores enxergam o setor como mais seguro que aplicações financeiras. Espírito Santo se consolida como modelo de mercado maduro, com menor dependência bancária e forte participação de capital local.
O mercado imobiliário capixaba atravessa 2026 com um pé no acelerador e outro no freio. Juros elevados, inflação persistente e incertezas econômicas poderiam afastar investidores, mas não é isso que está acontecendo. Segundo o empresário José Luis Galvêas, o movimento atual é inverso: pessoas estão voltando ao tijolo, buscando a solidez do imóvel em tempos de volatilidade financeira.
Segurança que se vê e se toca
Em entrevista à Folha Vitória, Galvêas explicou que o comportamento do investidor mudou. Muitos venderam imóveis no passado para aproveitar juros altos em aplicações financeiras — e hoje não conseguem recomprar o que tinham. A lição ficou: a longo prazo, poucos investimentos superam a estabilidade do mercado imobiliário. "O dinheiro é volátil, os juros dependem de inflação que nem sempre reflete a realidade. Já o imóvel é algo sólido, visível", afirmou.
Um lançamento recente ilustra bem essa confiança renovada: quase 200 adesões em pouquíssimo tempo. O dado mostra que, apesar do cenário macroeconômico desafiador, a demanda continua firme. O déficit habitacional brasileiro também sustenta esse movimento, garantindo um mercado ativo mesmo em períodos de instabilidade.
Espírito Santo: modelo diferenciado
O Estado vem chamando atenção por características únicas no cenário nacional. O mercado imobiliário local é mais maduro e menos dependente de crédito bancário. Investidores capixabas passaram a agrupar recursos para viabilizar empreendimentos, criando um modelo que merece destaque. "Esse modelo vem dando certo e merece atenção", destacou Galvêas.
Vitória, em especial, beneficia-se de limitações territoriais que valorizam ainda mais os imóveis. Bairros como Jardim Camburi cresceram com planejamento urbano estruturado, ruas largas e infraestrutura bem pensada — fatores que explicam a consolidação da capital como referência nacional. Já o Centro da cidade, segundo o empresário, precisa de mais vida própria para explorar todo seu potencial, a exemplo do Parque Moscoso, símbolo histórico da região.
Desafios e adaptações
A falta de mão de obra segue como obstáculo global, mas também abre caminho para inovação. Galvêas aponta que a tendência é adotar processos mais tecnológicos e mecanizados, reduzindo a dependência de trabalho manual — um movimento já comum em países desenvolvidos e que começa a ganhar força no Brasil.
O mercado também aprendeu com erros do passado. O desequilíbrio causado por grandes construtoras que se expandiram demais após abrir capital serviu de lição. Hoje, há maior equilíbrio entre oferta e demanda, e as empresas atuam com mais cautela e planejamento.
O que isso significa para o mercado
O Espírito Santo vive um momento singular no setor imobiliário. A maturidade do mercado local, aliada ao protagonismo de investidores regionais, cria um ambiente favorável tanto para quem busca moradia quanto para quem deseja investir. A percepção do imóvel como ativo seguro — especialmente em tempos incertos — fortalece a demanda e sustenta lançamentos mesmo com taxas de juros elevadas.
Para quem acompanha o setor, fica clara a mensagem: investir em imóvel no Espírito Santo é apostar em um mercado sólido, com menor exposição a crises e maior capacidade de valorização no longo prazo. A combinação de planejamento urbano, capital local e déficit habitacional garante que a demanda continue aquecida nos próximos anos.
Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.
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