Mercado Imobiliário Grande Vitória · 1 Abr 2026

Grande Vitória atinge maior volume de obras em 10 anos com 18,9 mil unidades

Mercado registra 18,9 mil unidades residenciais em construção, maior patamar desde 2015. Movimento contraria cenário de juros altos, impulsionado por demanda qualificada, valorização expressiva e mudança estrutural no perfil dos compradores.

Grande Vitória atinge maior volume de obras em 10 anos com 18,9 mil unidades

O mercado imobiliário da Grande Vitória alcançou marca histórica em janeiro de 2026: 18,9 mil unidades residenciais em construção, o maior volume desde novembro de 2015. O dado, revelado pelo 46º Censo Imobiliário do Sinduscon-ES, surpreende porque acontece em contexto de juros elevados — cenário que teoricamente desestimularia novos projetos.

O levantamento abrange 75 construtoras e incorporadoras nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana. Para entender a dimensão do crescimento: em 2020, o número de unidades em construção era pouco acima de 10 mil. Nos últimos seis anos, esse volume quase dobrou, com crescimento próximo de 90%.

Crescimento que desafia a lógica

O movimento é contra intuitivo. No início de 2020, a Selic estava em 4,25% (chegaria a 2% pouco depois). Hoje, está em 14,75%. Juros mais altos encarecem o financiamento para incorporadores e reduzem o apetite do consumidor. Ainda assim, os dados apontam na direção oposta.

Breno Peixoto, CEO da Nazca, explica o fenômeno: "O que sustenta esse crescimento é uma mudança estrutural no mercado. Hoje existe uma demanda mais qualificada, especialmente no médio e alto padrão, que não está pautada apenas no custo do crédito, mas na busca por qualidade de vida, localização e projetos com identidade. O setor amadureceu — os lançamentos são mais criteriosos e alinhados à demanda real."

Velocidade de vendas impressiona

A taxa de venda sobre oferta (VSO) — que mede quanto do estoque disponível é absorvido pelo mercado em um ano — avançou significativamente. No segmento residencial de médio-alto padrão em Vitória, subiu de 20,3% para 37,4% entre 2020 e 2026. Em Vila Velha, a absorção do mesmo segmento passou de 28,6% para 32,7% no período.

Valorização expressiva em seis anos

Os preços acompanharam o aquecimento. Em Vitória, apartamentos de dois quartos saltaram de R$ 7,8 mil/m² em 2020 para R$ 15,6 mil/m² em 2026 — praticamente o dobro. Em Vila Velha, a alta foi ainda mais acentuada: de R$ 5,2 mil/m² para R$ 14,3 mil/m².

Na tipologia de quatro quartos, o crescimento foi mais expressivo: de R$ 10 mil/m² para R$ 22,7 mil/m² em Vitória, e de R$ 10,7 mil/m² para R$ 19,9 mil/m² em Vila Velha — ambos no mesmo intervalo de seis anos.

O que isso significa para o mercado

Luiz Henrique Stanger, diretor executivo da Lopes Dynamo, resume o cenário: "O que sustenta esse movimento é uma combinação de pleno emprego, crédito disponível e crescimento da renda. Em praças como Vitória, a escassez de oferta continua pressionando a velocidade de vendas e estimulando novos lançamentos."

Para investidores e compradores, os números indicam mercado saudável com demanda real. A valorização expressiva dos últimos seis anos reflete não apenas inflação, mas reconhecimento de qualidade e localização. Quem adquiriu imóvel em 2020 viu seu investimento dobrar de valor, e a tendência é de continuidade desse ciclo positivo.

Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.

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