GV
Mercado Imobiliário Grande Vitória · 29 Set 2026

Crédito imobiliário se diversifica no ES com novas fontes de financiamento

O mercado imobiliário capixaba se adapta à redução da poupança com alternativas como FGTS, fundos e mercado de capitais. Com 19.469 unidades em obras na Grande Vitória, o setor mantém ritmo acelerado apesar do custo maior do crédito.

Crédito imobiliário se diversifica no ES com novas fontes de financiamento
Fonte: ES Brasil

Poupança reduz, mercado se reinventa

O cenário de financiamento imobiliário no Espírito Santo passa por uma transformação importante. A redução significativa dos recursos da poupança está forçando construtoras, incorporadoras e compradores a buscar alternativas de crédito mais diversificadas, incluindo FGTS, letras de crédito, fundos, recebíveis e captações no mercado de capitais.

Os números nacionais revelam a magnitude dessa mudança. No primeiro semestre de 2026, o crédito imobiliário brasileiro atingiu R$ 180,9 bilhões, um crescimento de 23% comparado ao mesmo período do ano anterior. Desse montante, R$ 93,7 bilhões vieram do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), enquanto o FGTS respondeu por R$ 77,6 bilhões e linhas de recursos livres contribuíram com R$ 9,6 bilhões.

Grande Vitória segue com pipeline robusto

No Espírito Santo, a dinâmica do mercado permanece acelerada. O 46º Censo Imobiliário do Sinduscon-ES apontou 19.469 unidades em construção na Grande Vitória ao final de 2025, sendo 18.969 residenciais. Um dado animador: 74,9% dessas unidades já estavam comercializadas, demonstrando a força da demanda na região.

Para Ricardo Gava, diretor da Ademi-ES, a diversificação das fontes de crédito é fundamental para converter a demanda latente em vendas efetivas e novos investimentos. Segundo ele, o Espírito Santo acompanha uma tendência observada em outras regiões do país, onde incorporadoras mantêm seus planos de expansão mesmo diante de custos de financiamento mais elevados.

Segmentação de mercado e diferentes soluções

A mudança não afeta todos os segmentos igualmente. Para imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida e na chamada habitação econômica, o FGTS desempenha papel central, especialmente em municipios como Serra, Vila Velha, Cariacica e Viana. Já para os segmentos médio, médio-alto e de luxo, as alternativas são mais variadas e sofisticadas.

Leandro Lorenzon, vice-presidente do Sinduscon-ES, observa que construtoras podem recorrer a recursos próprios ou explorar o mercado de capitais através de fundos e outros instrumentos. Porém, avisa: essas alternativas têm custo significativamente maior, envolvendo CDI mais spread, refletindo a lei da oferta e procura em um cenário de crédito mais escasso.

O novo modelo de financiamento

Uma mudança regulatória importante ocorreu em outubro de 2025, quando entrou em vigor um novo modelo de financiamento imobiliário. A medida permite deduzir do recolhimento compulsório parte dos recursos da poupança destinados a operações imobiliárias, potencialmente liberando R$ 36,9 bilhões imediatamente e outros R$ 52,4 bilhões no primeiro ano.

O que isso significa para o mercado

Essa diversificação de fontes é notícia positiva para o mercado capixaba. Embora o custo do crédito tenha aumentado, a disponibilidade de múltiplas fontes garante que o setor não dependerá exclusivamente da poupança — historicamente mais volátil e limitada. Para investidores e compradores na Grande Vitória, significa continuidade: as obras prosseguem, os lançamentos continuam e o mercado segue robusto. A região se beneficia de um ecossistema de crédito mais resiliente e sofisticado, capaz de financiar desde habitação social até empreendimentos de alto padrão.

Baseado em informações publicadas por ES Brasil.

Compartilhar

WhatsApp

Continue lendo

Mais notícias

Carregando mais notícias...
GV

Grande Vitória

Online agora