Apartamentos de 1 quarto disparam na Grande Vitória e já somam mais de 3 mil unidades
O crescimento de imóveis compactos na região é impulsionado pela demanda de aluguel de curta duração (short stay) e mudanças no perfil das famílias. Vila Velha lidera com 11.553 unidades em produção, enquanto Vitória registra forte concentração em Jardim Camburi.
O boom dos apartamentos de um quarto
A Grande Vitória está vivenciando uma transformação marcante no seu portfólio imobiliário. Segundo o 47º Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES), os imóveis de 1 quarto já representam 3.132 unidades em produção — um crescimento impressionante de 91,33% em relação ao primeiro semestre de 2025. Esse número está quase equiparado aos apartamentos de 3 quartos (3.886 unidades), consolidando uma mudança significativa nas prioridades das construtoras.
O fenômeno do short stay e novos investidores
Esse cenário é resultado da consolidação do modelo de aluguel de curta temporada (conhecido como short stay ou Airbnb) como estratégia viável para investidores. Empreendimentos especializados como OnBeach Short Stay, Atma Short Stay e GS Stay, principalmente em Vila Velha, exemplificam essa tendência. A mudança também reflete transformações sociais: mais pessoas vivendo sozinhas e maior demanda de visitantes em períodos curtos. A facilidade tecnológica das plataformas de aluguel temporário, combinada com decisões judiciais que pacificaram a questão em convenções condominiais, criou o ambiente perfeito para esse crescimento.
Vila Velha lidera, mas Vitória concentra em bairros específicos
Dos cinco municípios pesquisados, Vila Velha concentra 11.553 unidades em produção, mais da metade de todo o volume da região. Apenas o Centro de Vila Velha (incluindo orla e bairros adjacentes) reúne 7.861 unidades. Na capital, Vitória totaliza 4.462 unidades, com Jardim Camburi respondendo por 2.295 delas. Essa concentração geográfica revela uma estratégia clara: construtoras e investidores buscam regiões com maior fluxo turístico e oferta de serviços.
Diversidade de padrões: 38% econômicos, 62% médio/alto padrão
O mercado continua segmentado. Do total residencial em produção, 38,02% são classificados como ECO (econômicos), enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, enquanto 61,98% pertencem à categoria MAP (médio e alto padrão). Essa divisão reflete estratégias distintas: imóveis compactos de 1 quarto atendem tanto investidores quanto primeira compra de imóvel, ampliando o apelo comercial.
Mercado mais maduro, com 5.750 unidades disponíveis
Apesar da forte produção (20.768 unidades residenciais ao todo), cerca de 5.750 unidades ainda estão disponíveis para venda. Isso representa 27,2% do estoque total — um cenário mais equilibrado do que o período de frenesi dos lançamentos que vendiam tudo em um dia. Segundo analistas do setor, isso reflete endividamento das famílias, juros altos e cautela no período próximo a eleições. Vitória e Vila Velha lideram em ritmo de vendas.
Novas fronteiras: interior de Vila Velha e litoral da Serra
A expansão imobiliária começa a avançar do litoral para regiões mais internas de Vila Velha, especialmente em direção ao sul, após o Jockey de Itaparica e até Ponta da Fruta — movimento favorecido pelo Plano Diretor Municipal. Na Serra, o setor identifica oportunidades no litoral e em regiões próximas, potencializadas pelo crescimento econômico de Aracruz. Em Vitória, a escassez de terrenos nas áreas mais valorizadas (Jardim Camburi, Praia do Canto) abre espaço para bairros intermediários como Santa Lúcia, Bento Ferreira e Ilha de Monte Belo, que ficam entre as zonas premium e o Centro em desenvolvimento.
O que isso significa para o mercado
O crescimento de apartamentos de 1 quarto não é apenas uma tendência passageira — é a consolidação de um novo segmento de investimento. Para o comprador ou investidor, isso significa maior variedade de opções, preços mais acessíveis por unidade, e rentabilidade potencial via aluguel temporário. Regiões como Vila Velha e bairros próximos à orla ganham valor como ativos de renda. Já para quem busca moradia, a abundância de estoque oferece poder de barganha e mais tempo para escolher a melhor localização e condições de pagamento.
Baseado em informações publicadas por Jornal ES HOJE.
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