Aluguel cresce 44% enquanto casa própria cai no ES: o que muda no mercado
Pesquisa do IBGE mostra transformação profunda no perfil de moradia capixaba: aluguel saltou de 16,5% para 23,7% entre 2016 e 2025, enquanto imóveis próprios caíram de 71,2% para 61,7%. Na Grande Vitória, 28% das famílias já vivem de aluguel, chegando a quase 32% na capital.
O Espírito Santo vive uma virada silenciosa no jeito de morar. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do IBGE, revelam que a casa própria quitada — sonho tradicional de 7 em cada 10 capixabas em 2016 — hoje pertence a apenas 6 em cada 10. Em menos de uma década, a fatia de lares próprios despencou de 71,2% para 61,7%.
Do outro lado da moeda, o aluguel avança rápido. Se antes apenas 16,5% das famílias capixabas viviam em imóveis locados, hoje esse número chega a 23,7%. Na prática, quase 1 em cada 4 domicílios no Estado não pertence a quem mora nele. E o fenômeno é ainda mais marcante na Grande Vitória, onde 28,1% das residências são alugadas. Em Vitória, a proporção sobe para 31,9% — quase um terço da população.
Por que isso está acontecendo?
A radialiata Vanessa Dias dos Santos, de 24 anos, vive essa realidade. Moradora de Ponta da Fruta, em Vila Velha, ela veio da Bahia com a mãe e ainda não conseguiu realizar o sonho da casa própria capixaba. "A gente já começou um financiamento, mas ainda não saiu. O aluguel é bom, mas o que a gente paga não é nosso. Nosso sonho é ter uma casa no Espírito Santo", conta.
Para o especialista em mercado imobiliário Luiz Henrique Stanger, a explicação passa pelo "tripé" que sustenta a compra de imóveis: crédito, renda e emprego. E esse tripé está cambaleando. "As taxas de juros subiram muito, tornando o financiamento caro demais. Muitas famílias fazem as contas e percebem que a parcela do financiamento fica muito acima do valor do aluguel. Isso empurra gente para a locação", explica.
Com o crédito mais restrito e juros elevados, a classe média — principal compradora de imóveis financiados — encontra portas fechadas nos bancos. Sem conseguir comprar, essas famílias migram para o aluguel. O problema: isso cria uma demanda reprimida que pressiona o mercado de locação, reduz a oferta e faz os preços subirem.
O que isso significa para o mercado
Esse cenário duplo — menos gente comprando e mais procurando aluguel — redesenha as oportunidades imobiliárias no Estado. Para investidores, abre-se uma janela: imóveis voltados exclusivamente para locação ainda são raros. Quem estruturar portfólio pensando em renda de aluguel pode surfar essa onda crescente de demanda.
Por outro lado, construtoras e incorporadoras precisam repensar produtos. Apartamentos compactos, unidades com preços finais menores e lançamentos que caibam em programas habitacionais podem ganhar força. A PNAD também aponta que 21,3% dos domicílios capixabas têm apenas um morador — quarto maior índice do Brasil. Isso indica espaço para studios, quitinetes e plantas menores, especialmente na capital.
A Grande Vitória continua atraente — não faltam empregos, serviços ou qualidade de vida. Mas o caminho para a casa própria ficou mais longo. E quem souber ler esse novo mapa de moradia pode encontrar oportunidades tanto na compra quanto na locação.
Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.
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