Mercado Imobiliário Grande Vitória · 23 Abr 2026

Aluguel cresce 44% enquanto casa própria cai no ES: o que muda no mercado

Pesquisa do IBGE mostra transformação profunda no perfil de moradia capixaba: aluguel saltou de 16,5% para 23,7% entre 2016 e 2025, enquanto imóveis próprios caíram de 71,2% para 61,7%. Na Grande Vitória, 28% das famílias já vivem de aluguel, chegando a quase 32% na capital.

Aluguel cresce 44% enquanto casa própria cai no ES: o que muda no mercado

O Espírito Santo vive uma virada silenciosa no jeito de morar. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do IBGE, revelam que a casa própria quitada — sonho tradicional de 7 em cada 10 capixabas em 2016 — hoje pertence a apenas 6 em cada 10. Em menos de uma década, a fatia de lares próprios despencou de 71,2% para 61,7%.

Do outro lado da moeda, o aluguel avança rápido. Se antes apenas 16,5% das famílias capixabas viviam em imóveis locados, hoje esse número chega a 23,7%. Na prática, quase 1 em cada 4 domicílios no Estado não pertence a quem mora nele. E o fenômeno é ainda mais marcante na Grande Vitória, onde 28,1% das residências são alugadas. Em Vitória, a proporção sobe para 31,9% — quase um terço da população.

Por que isso está acontecendo?

A radialiata Vanessa Dias dos Santos, de 24 anos, vive essa realidade. Moradora de Ponta da Fruta, em Vila Velha, ela veio da Bahia com a mãe e ainda não conseguiu realizar o sonho da casa própria capixaba. "A gente já começou um financiamento, mas ainda não saiu. O aluguel é bom, mas o que a gente paga não é nosso. Nosso sonho é ter uma casa no Espírito Santo", conta.

Para o especialista em mercado imobiliário Luiz Henrique Stanger, a explicação passa pelo "tripé" que sustenta a compra de imóveis: crédito, renda e emprego. E esse tripé está cambaleando. "As taxas de juros subiram muito, tornando o financiamento caro demais. Muitas famílias fazem as contas e percebem que a parcela do financiamento fica muito acima do valor do aluguel. Isso empurra gente para a locação", explica.

Com o crédito mais restrito e juros elevados, a classe média — principal compradora de imóveis financiados — encontra portas fechadas nos bancos. Sem conseguir comprar, essas famílias migram para o aluguel. O problema: isso cria uma demanda reprimida que pressiona o mercado de locação, reduz a oferta e faz os preços subirem.

O que isso significa para o mercado

Esse cenário duplo — menos gente comprando e mais procurando aluguel — redesenha as oportunidades imobiliárias no Estado. Para investidores, abre-se uma janela: imóveis voltados exclusivamente para locação ainda são raros. Quem estruturar portfólio pensando em renda de aluguel pode surfar essa onda crescente de demanda.

Por outro lado, construtoras e incorporadoras precisam repensar produtos. Apartamentos compactos, unidades com preços finais menores e lançamentos que caibam em programas habitacionais podem ganhar força. A PNAD também aponta que 21,3% dos domicílios capixabas têm apenas um morador — quarto maior índice do Brasil. Isso indica espaço para studios, quitinetes e plantas menores, especialmente na capital.

A Grande Vitória continua atraente — não faltam empregos, serviços ou qualidade de vida. Mas o caminho para a casa própria ficou mais longo. E quem souber ler esse novo mapa de moradia pode encontrar oportunidades tanto na compra quanto na locação.

Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.

Compartilhar

WhatsApp

Continue lendo

Mais notícias

Carregando mais notícias...
GV

Grande Vitória

Online agora