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Mercado Imobiliário Grande Vitória · 9 Set 2026

Airbnb transformou 14 mil imóveis capixabas em negócio de curta temporada

O fenômeno das locações por temporada via plataformas digitais reconfigurou o mercado imobiliário capixaba, reduzindo a oferta de aluguel residencial tradicional e pressionando preços em regiões como Vitória e Guarapari.

Airbnb transformou 14 mil imóveis capixabas em negócio de curta temporada

Um novo modelo de negócio transforma a dinâmica imobiliária

O Espírito Santo contabiliza 14.095 imóveis com anúncios ativos no Airbnb, segundo levantamento da plataforma GuestFavorites. Esse número revela como a locação de curta duração evoluiu de uma atividade eventual para um negócio econômico estruturado no cenário do turismo capixaba. Proprietários em bairros valorizados, especialmente em Vitória, Vila Velha e Guarapari, identificaram neste modelo uma oportunidade de rentabilidade superior à locação residencial tradicional.

Impacto direto na oferta de moradias e nos preços

A retirada massiva de imóveis do mercado de aluguel de longo prazo gerou consequências imediatas: redução na oferta residencial, elevação dos preços de aluguel e alterações na circulação urbana. Segundo dados de julho do FipeZap, Vitória registrou alta de 11,94% nos aluguéis, com especialistas apontando a migração para plataformas digitais como um dos fatores determinantes. O economista-chefe do Ibef-ES destacou que em algumas regiões a pressão sobre os aluguéis é particularmente intensa.

Tensão entre setores e novos modelos de investimento

A concorrência com o setor hoteleiro tradicional acirrou debates sobre regulamentação. Enquanto proprietários como Maria Isabel Lopes da Costa, que aluga seu apartamento em Itaparica desde 2021, veem a plataforma como fonte de renda principal, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado (ABIH-ES) busca equilibrio concorrencial. Os dados operacionais revelam que imóveis no Airbnb faturaram em média R$ 69.377 anuais, com taxa de ocupação de 46% e diária média de R$ 414.

Precedentes globais e futuro regulatório

Cidades como Barcelona, Paris e Nova Iorque já implementaram restrições legais a plataformas digitais. O Rio de Janeiro, com 48.193 anúncios no Airbnb, tornou-se referência de desafios urbanos relacionados à gentrificação imobiliária. No Brasil e no Espírito Santo, cresce a discussão sobre medidas que equilibrem o direito ao empreendedorismo com a garantia de acesso à moradia.

O que isso significa para o mercado

Para investidores e proprietários capixabas, o cenário aponta dois caminhos: adaptação ao novo modelo de negócio ou manutenção da locação residencial tradicional. A tendência global sugere que regulamentações virão. Bairros com vocação turística, como Camburi e Morro em Guarapari, consolidam-se como polos de investimento em temporada, enquanto bairros residenciais enfrentam pressão de preços. Quem compreender esta dinâmica terá clareza para tomar decisões informadas sobre rentabilidade e alocação de patrimônio.

Baseado em informações publicadas por Tribuna Online.

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